O processo de ensino-aprendizagem não comporta apenas conhecimentos sobre o conteúdo a ser ensinado, mas também a crença sobre a capacidade de aprendizagem dos alunos.
É preciso dissociar o conhecimento sobre a linguagem, da habilidade para ler e escrever. Crianças pré-escolares e adultos analfabetos, por exemplo, têm a capacidade de produzir e reproduzir, de forma mais ou menos fixa, as características da linguagem escrita, embora não possuam a habilidade de escrevê-la materialmente. Isso é possível através da visualização de figuras, enquanto o texto relacionado às mesmas é lido para eles. Para a aprendizagem ser significativa, então, deve-se ir além daquilo que as crianças sabem, rumo ao que não sabem.
Existem impasses quando olhamos a questão da inibição intelectual. Há desordens que podem advir da relação do sujeito com o saber. São desordens que perturbam o mundo infantil, trazendo às crianças situações problemáticas, desconfortos e inquietações, que podem ser evidenciadas através de dificuldades escolares variadas.
No mundo escolar, muitas vezes, o diagnóstico de distúrbios de aprendizagem rotula e segrega os portadores desse quadro. Rotulados como deficitários, os indivíduos têm sua imagem associada ao fracasso. É necessário romper as lacunas e distâncias que as comunidades educacionais, pedagógicas e psiquiátricas costumam impor a essas pessoas. Deve-se buscar a integração, e não a segregação, junto ao grupo que o indivíduo faz parte.
Se há um impasse manifesto na vida escolar da criança, a clínica médico-psicopedagógica com crianças receberia as mesmas, visando uma ortopedia reeducativa para ajustar os distúrbios. Sendo portadoras de dislexias, disortografias, discalculias, entre outras patologias, com esses novos significantes, não corre o risco de discriminação dos caracteres desses indivíduos e conseqüente abuso medicamentoso para calar o que só se grita no sintoma?

