Glossário com Termos Psicanalíticos
Afeto: Termo geral que designa os sentimentos e as emoções. Considera-se que o afeto nem sempre está ligado à idéia (recordação, representação). Nos casos em que a recordação é muito dolorosa e ameaçadora, o ego a reprime (ver repressão). No entanto, o afeto correspondente pode se deslocar para outras idéias associadas, porém, menos perigosas, ludibriando a censura e liberando-se parcialmente ao chegar à consciência.
Angústia: Reação emocional intensa que funciona como resposta a um perigo real ou imaginário (angústia automática). Na psicanálise, essa angústia automática é resultado de um fluxo incontrolável de excitações de origem interna ou externa.
Aparelho Psíquico: Designa os modelos concebidos por Freud para explicar a organização e o funcionamento da mente. Para isso, ele propôs algumas hipóteses. As mais conhecidas são: a hipótese econômica, que concerne essencialmente à quantidade e ao movimento da energia na atividade psíquica; a hipótese topográfica, que tenta localizar a atividade mental em alguma parte do aparelho, que ele divide em consciente, pré-consciente e inconsciente; e a hipótese estrutural, em que Freud divide a mente em três instâncias funcionais: id, ego e superego, atribuindo a cada uma delas uma função específica.
Claustrofobia: Reação emocional intensa e injustificada a lugares fechados.
Complexo de Édipo: De acordo com Freud, a criança entre 2 e 5 anos, aproximadamente, desenvolve intenso sentimento de amor pelo genitor do sexo oposto e grande hostilidade pelo genitor do próprio sexo, a quem deseja eliminar como a um rival. Esses sentimentos, geralmente, são vividos com grande intensidade e, ao mesmo tempo, com grande ambivalência. Pois, embora odeie o genitor do mesmo sexo, que o impede de realizar seus desejos, também o ama por tudo de bom que ele representa. Surge então a culpa e o medo à retaliação (medo à castração). Esse conflito, geralmente, declina após a idade de 5 anos e reaparece com o advento da puberdade, sendo um dos fatores que contribuem para a crise da adolescência. Uma resolução satisfatória para esse conflito, depende de uma boa estruturação da personalidade.
Conflito: Na psicanálise, refere-se, geralmente, ao conflito interno entre os impulsos instintivos e entre as instâncias (id, ego e superego) e também ao conflito edipiano (ver complexo de édipo).
Defesa: É o conjunto de manobras inconscientes (mecanismos de defesa) que o ego utiliza para evitar ameaças à sua própria integridade. Essas ameaças podem surgir através da intensificação dos impulsos instintivos, colocando em perigo o equilíbrio do ego, que tem como função harmonizar esses impulsos com os imperativos do superego ("consciência moral") e com as exigências da realidade externa.
Ego: É uma das três instâncias (id, ego e superego), que Freud concebeu em um de seus modelos para explicar o funcionamento da mente humana (ver aparelho psíquico). O ego é a parte organizada desse sistema, que entra em contato direto com a realidade externa e, através de suas funções, tem capacidade de atuar sobre ela numa tentativa de adaptação. Por isso, estão sob o domínio do ego as percepções sensoriais, os controles e habilidades para atuar sobre o ambiente e a capacidade de lembrar, comparar e pensar. No âmbito de suas relações com as outras duas instâncias do sistema, o ego assume o papel de mediador e integrador dos impulsos instintivos do id (ver id) e também das exigências do superego (ver superego), para adaptá-los à realidade externa.
Fantasia: Refere-se à atividade imaginativa subjacente a todo pensamento e sensação. As fantasias podem se apresentar sob forma consciente, como acontece nos sonhos diurnos, ou inconscientes, subjacentes a um conteúdo manifesto, como nos sonhos ou nos sintomas neuróticos. Está sempre intimamente ligada aos desejos instintivos.
Fase Anal: É a segunda fase do desenvolvimento libidinal (ver libido) e é apresentada entre um e três anos de idade. Nessa fase, os interesses da criança se organizam predominantemente em torno da função anal, pelo prazer que sente na expulsão e retenção das fezes, que ela agora consegue controlar através de um crescente domínio muscular. Esse controle tem também conseqüências importantes no relacionamento interpessoal com o meio ambiente. A criança agora é capaz de dar e negar (as fezes), de colocar esse controle a serviço das expectativas do meio ou de sua necessidade e prazer. As atitudes que se formam nessas interações com o meio vão estabelecer, em grande parte, as bases de seus futuros relacionamentos.
Fase Fálica: Nessa fase, que vai dos 3 aos 5 anos aproximadamente, a libido concentra-se nos órgãos genitais, que se tornam a zona erógena predominante. Os conflitos dessa fase estão ligados ao Complexo de Édipo, com o surgimento de desejos incestuosos e seu conseqüente temor à castração. O seu comportamento oscila entre a iniciativa e a culpa.
Fase de Latência: Inicia-se por volta dos 5 anos e se estende até o início da puberdade. Caracteriza-se, principalmente, pelo declínio dos interesses sexuais que, segundo a teoria psicanalítica, são reprimidos e só reaparecem na adolescência. Nessa fase, tendo superado em parte os conflitos do Complexo de Édipo, amplia seu ambiente social, procurando estabelecer novos contatos. Dedica-se também em adquirir novas habilidades na aprendizagem escolar, nos esportes, etc.
Fase Oral: Corresponde ao primeiro ano de vida de uma criança, momento em que seus contatos mais significativos são feitos através da boca. Além de sua função na alimentação, ela é também a sede principal dos prazeres eróticos da criança nessa fase. Podemos observar que uma criança inquieta é capaz de se acalmar com uma chupeta, isso acontece porque a sucção produz uma satisfação erótica que alivia as sensações do organismo.
Nessa fase, a criança é essencialmente dependente e receptiva. A incorporação e o modelo básico de seu comportamento depende das suas interações com o meio.
O relacionamento que estabelece com a mãe, nesse período da vida, vai ter uma importância fundamental na forma com que a criança vai configurar o mundo e se relacionar em seu ambiente. Uma boa mãe saberá dosar bem a satisfação das necessidades de seu bebê e também as restrições, o que estabelecerá uma base de confiança nos seus futuros relacionamentos.
Distúrbios no desenvolvimento dessa fase, geralmente, se evidenciam mais tarde por traços de dependência excessiva de outras pessoas, de alimentos (obesidade), de álcool (alcoolismo) ou de qualquer outra coisa.
Fixação: Processo pelo qual o indivíduo permanece vinculado a modos de satisfação ou padrões de comportamento característicos de uma fase anterior do seu desenvolvimento libidinal (ver libido). A fixação pode ser também por pessoas significativas da infância. Assim, encontramos expressões freqüentemente utilizadas na psicanálise, como fixação oral, fixação anal, fixação maternal, fixação paternal. Chamamos de pontos de fixação aqueles momentos do desenvolvimento libidinal que foram perturbados e pelos quais o indivíduo permanece fixado ou pelos quais regride em estado de tensão.
Histeria: Tipos de neuroses que se caracterizam principalmente pelos distúrbios funcionais de aparência orgânica, como paralisias, perturbações sensoriais, crises nervosas, sem evidência de patologia física e que se manifestam de modo a sugerir que servem a alguma função psicológica.
As formas sintomáticas melhor definidas são a "histeria de conversão" em que o conflito psíquico se expressa nos mais diversos sintomas corporais (como paralisias, crises emocionais e anestesias) e a "histeria de angústia", também conhecida como "fobia", em que o agente de perseguição interna é deslocado e fixado em algum objeto (ver objeto) do mundo externo.
Idealização: Processo em que o indivíduo supervaloriza o objeto (ver objeto), negando-se a ver todos os aspectos que possam desvalorizá-lo.
Identificação: Processo pelo qual o indivíduo se torna idêntico a outro, através da assimilação de traços ou atributos daquele que lhe serve de modelo. Nesse processo, o indivíduo tanto pode assimilar aspectos de outra pessoa, como também pode identificar, em outros, aspectos seus. É através das identificações que, desde o princípio, a personalidade se forma e se diferencia.
Id: Uma das instâncias da teoria estrutural (id, ego, superego) do aparelho psíquico. O id, que opera em nível inconsciente, contém os impulsos instintivos que se originam na organização somática e ganham expressão psíquica. Além disso, contém idéias e recordações que, por serem insuportáveis ao indivíduo, foram reprimidas. É considerado como um reservatório de energia, com a qual alimenta também as outras instâncias (ego e superego). Porém, não possui uma organização comparável à do ego, pois é regido pelo Princípio do Prazer, que busca sempre a satisfação, ignorando as diferenças e contradições, e sem a capacidade de considerar espaço e tempo. Sua interação com as outras instâncias é geralmente conflituosa, pois o ego, sob os imperativos do superego e as exigências da realidade, tem que avaliar e controlar os impulsos provindos do id, permitindo sua satisfação ou adiando e, até mesmo, inibindo-a totalmente.
Inconsciente: É, possivelmente, o conceito mais fundamental da teoria freudiana. Em seu trabalho, Freud demonstrou que o conteúdo da mente não se reduz ao consciente, mas que, pelo contrário, a maior parte da vida psíquica se desenrola em nível inconsciente. Ali, se encontram principalmente idéias (representações de impulsos) reprimidas, às quais é negado o acesso à consciência, mas que têm grande influência na vida consciente. Essas idéias reprimidas aparecem de forma disfarçada nos sonhos e nos sintomas neuróticos principalmente. É através do seu conhecimento que podemos chegar até o conflito neurótico durante um processo terapêutico geralmente. O inconsciente é uma das entidades do primeiro modelo da mente criado por Freud (ver aparelho psíquico).
Libido: É a energia inerente aos movimentos e transformações dos impulsos sexuais. Ela é a contrapartida psíquica da excitação sexual somática. É uma palavra latina que significa desejo, vontade.
Masoquismo: É uma forma de perversão sexual em que a satisfação é obtida através do sofrimento e da humilhação do próprio indivíduo.
Neurose: Em sua essência, vai designar os distúrbios dos comportamentos, sentimentos ou idéias, que surgem como resultado de um conflito entre o id e o ego, em que uma tendência instintiva é reprimida pelo ego, dando lugar a formação de sintomas neuróticos. Esses sintomas são percebidos pelo indivíduo como algo estranho e incompreensível dentro do quadro geral de sua personalidade. Podem consistir em alterações das funções corporais (cegueira histérica, por exemplo), que não possuem nenhuma explicação fisiológica; de emoções e ansiedades injustificadas, como no caso da neurose obsessiva.
O que mais caracteriza a neurose, em contraste com a psicose, é a preservação do contato do indivíduo com a realidade. Ele mantém, assim, apesar das distorções causadas pelos sintomas, uma boa margem de senso crítico e também a capacidade de perceber sua própria doença.
Paranóia: É uma psicose funcional (ver psicose) que se caracteriza pela presença de delírios mais ou menos sistematizados, que possui certa lógica e coerência interna e que não propicia uma deteriorização do intelecto.
Perversão: Qualquer forma de conduta sexual adulta em que o prazer não é obtido através da penetração genital com um indivíduo do outro sexo.
Projeção: Processo defensivo (ver defesa) em que o indivíduo atribui a outro (pessoa ou coisa) sentimentos e desejos que seria penoso admitir como seus próprios.
Psicanálise: Disciplina criada por Freud, que consiste em um método para investigação dos processos mentais, uma forma de tratamento das desordens psíquicas e um corpo de teorias, que tenta sistematizar os dados introduzidos pelos métodos psicanalíticos mencionados acima.
A técnica psicanalítica de tratamento consiste basicamente em levar o paciente a associar livremente. Isto é, exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que lhe ocorrem, sem preocupação de dar-lhes sentido ou coerência. Interpretar, tanto as associações como os obstáculos que encontra ao associar, ajudando, assim, o paciente a eliminar as resistências que o impedem de tomar contato com os conflitos inconscientes. Interpretar seus sentimentos e atitudes em relação ao analista, pois o paciente tende a repetir, na relação terapêutica, as modalidades de relacionamento que teve com seus progenitores durante a infância (ver transferência).
Em resumo, chamamos psicanálise, o trabalho que ajuda o paciente a tornar conscientes suas experiências reprimidas, expondo, assim, suas motivações até então desconhecidas.
Psicose: Perturbação grave das funções psíquicas, que se caracteriza principalmente pela perda de contato com a realidade, incapacidade de adaptação social, perturbações da comunicação e ausência de consciência da doença. Para Freud, a psicose é resultado do conflito entre o ego e o mundo exterior. Diante da frustração de fortes desejos infantis, o ego nega a realidade externa e procura construir, através do delírio, um mundo interno e externo de acordo com as tendências do id. A psiquiatria distingue duas classes de psicoses: as orgânicas, em que uma enfermidade orgânica é encontrada como causa; e as funcionais, em que não há lesão orgânica demonstrável. Três formas de psicose funcional são reconhecidas: a esquizofrenia, a psicose maníaco-depressiva e a paranóia.
Psicose Maníaco-Depressiva: Psicose em que se alternam períodos de mania, como euforia, autoconfiança exagerada e depressão, geralmente com períodos intermediários de normalidade.
Psicoterapia: Termo comumente usado para designar as formas de tratamento psicológico que se diferenciam da psicanálise, considerada a forma de terapia mais profunda, mais intensa e total que qualquer outra. A "psicoterapia de orientação psicanalítica" usa a teoria psicanalítica em combinação com outras técnicas. A psicoterapia pode ser individual ou em grupo, superficial ou profunda, de apoio ou sugestiva. Pode ter os mais diversos marcos referenciais teóricos, como vemos na gestalt, no psicodrama, na análise transacional, etc. Considera-se que, de modo geral, seu trabalho é feito principalmente nos níveis mais conscientes da personalidade.
Superego: Uma das três instâncias da personalidade, que Freud concebeu em um dos modelos do aparelho psíquico (ver aparelho psíquico). O superego é formado a partir das identificações com os genitores, dos quais ele assimila as ordens e proibições. Assume então o papel de juiz e vigilante, formando uma espécie de autoconsciência moral. Os mandatos do superego incluem muitos elementos inconscientes que derivam do passado do indivíduo e que podem entrar em conflito com seus valores atuais.
Em relação às outras instâncias, ele é o controlador por excelência dos impulsos do id e age como colaborador nas funções do ego, mas, muitas vezes, ele se torna extremamente severo, anulando as possibilidades de satisfação instintiva e a capacidade de livre escolha do ego.
Transferência: É um processo pelo qual o indivíduo recapitula, através das suas relações atuais, especialmente com seu terapeuta, as relações que teve com seus genitores na infância. A transferência se dá geralmente com pessoas que representam alguma autoridade, como no relacionamento professor-aluno, médico-paciente, patrão-empregado. Freud, a princípio, encontrou na transferência um obstáculo para o tratamento, porém, mais tarde, a utilizou como parte essencial do processo terapêutico.

